
A Beleza da Inviolabilidade do Ser Humano
Na 2ªfeira, passou o filme “Hotel Ruanda” , creio que na RTP1, e eu aproveitei para rever este filme…,
Sendo a segunda vez que ia ver o filme…, deveria estar preparado para o ver…, mas não estava…, felizmente…
E espero nunca vir a estar…
As imagens horrorosas, daquele filme, sobre o Genocídio que aconteceu, de facto, em 1994, no Ruanda, onde foram massacradas mais de 800.000 pessoas…, em menos de 12 semanas…, foram um dos episódios mais ignominiosos da História da Humanidade em Africa.
O “Hotel Ruanda” não foi o único filme a tratar este tema, existe outro chamado, “Shooting dogs”, do director escocês Michael Caton-Jones.
Não pretendendo, agora, discorrer sobre as causas…, sobre os responsáveis, sobre o contexto…, não querendo procurar respostas, ou tentar compreender o que levou àquele massacre…
Apenas afirmo um simples princípio:
A inviolabilidade do Ser Humano…
A inviolabilidade da Vida Humana…, desde a sua concepção até à sua morte natural…
Para termos, um pouco de contexto, e para compreendermos que este conceito não é, apenas, um princípio religioso…, ou cristão…,
O Ideal “ O Homem é um ser inviolável”, é muito antigo…, é uma contribuição para o Humanismo dos Estóicos…, O Estoicismo era uma escola de filosofia da Antiguidade 300 a.C., e que teve uma especial importância na Cultura Romana, desde 150 a.C. até cerca de 200 d.C.
Os Estóicos acreditavam que a base para decidir entre o certo e o errado se encontrava na natureza, e entendiam que, se todos nós partilhamos do mesmo entendimento universal, deve existir uma justiça ou lei natural…, e uma vez que uma lei natural…, assenta no Conhecimento intemporal do Homem, não se altera com o Tempo…, e com o Lugar…, e aplica-se a TODOS OS SERES HUMANOS ( até na altura, os Estóicos aplicavam este ideal aos escravos…)
Embora estes humanistas da antiguidade, se concentrassem no Ser Humano, e se tivessem afastado das questões da Origem do Mundo, tinham como princípio básico que…
O Homem é um Ser Inviolável…
Mais tarde, as revoluções burguesas, ganharam destaque despromovendo o pensamento sofista e estóico de direito puramente natural, tendo em 1789 aparecido a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, em que, direitos como a inalienabilidade e a inviolabilidade do Ser Humano ganharam status de inderrogabilidade.
O mesmo princípio básico do Papa João Paulo II, que defendeu de uma maneira inequivocável, a Inviolabilidade do Ser Humano…
Depois de voltar a ver aquele filme, não tenho dúvidas…, temos que defender de uma forma inequívoca a Inviolabilidade do Ser Humano…
Temos que Ver e Sentir, de uma forma muito clara, a distinção entre o Bem e o Mal…, entre o Certo e o Errado…, entre o Belo e o Feio…, entre a Verdade e o Erro…
Não podem existir concessões…, não podem existir excepções…, não podem existir outros valores mais importantes…
A inviolabilidade da vida humana desde a concepção até a morte natural é um princípio absoluto…
A Humanidade não pode viver com a Pena de Morte, como solução penal;
A Humanidade não pode viver com a prática do Abordo com solução social;
A Humanidade não pode viver com declarações de Guerra, como solução política;
Sei e sinto que este é um tema muito controverso, sei e sinto que existem mil e uma razões racionais…, para contrapor parte ou tudo o que escrevi…
Mas também sei e sinto…, que dificilmente a Humanidade evoluirá, enquanto praticar qualquer acto que leve à morte qualquer Ser Humano, em qualquer circunstância…
Não pode o Homem ser Juiz Último e Medida para Todas as Coisas…
Se não interiorizarmos este conceito tão Antigo…, e tão cheio de Beleza…
O Homem é um Ser Inviolável…
não passaremos de um simples número de uma massa …